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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Stevia- Que tal trocar seu adoçante?



Histórico

Na época da colonização da América do Sul, todo o território Paraguaio e regiões limítrofes do Brasil, Argentina e Bolívia, era habitado pelos índios Tupi-guaranis. Eles utilizavam as folhas de uma pequena planta que denominaram Ka'a He'e, que em guarani, significa "erva doce", para adoçar diversas preparações medicinais. Em 1887, pela primeira vez, o Ka'a He'e teve uma abordagem científica dada pelo Naturalista Moisés S. Bertoni, juntamente com o químico Dr. Ovidio Rebaudi. A Sociedade Botânica, em homenagem a Bertoni, denominou-a Stevia Rebaudiana Bertoni.
A partir daí, houve diversas publicações a respeito da Stevia: publicações jornalísticas na Suíça em 1920; publicações em revistas Americanas especializadas de circulação mundial (The American Perfumer), Inglesa (Chemistry and Industry, 1954) e Alemã (Zucker-und Subwaren Wirtschaft - 1958); entre outras, que revelavam a Stevia como planta pródiga e com grandes perspectivas de comercialização e industrialização. Em 1924, pela decisão da Union Internacionale de Chimie em Copenhagen, o nome de Steviosídeo foi atribuído ao princípio adoçante. Em 1931, foi divulgado o poder edulcorante deste composto como sendo 300 vezes maior do que o da sacarose. Desde 1970 o steviosídeo é utilizado no Japão como agente edulcorante (adoçante) em alimentos e bebidas.

No Brasil desde 1987 é utilizado como adoçante e nos Estados Unidos a partir de 1995 como ingrediente para suplemento dietético.

A Stevia é uma planta originária da América do Sul, na Serra do Amambaí, região limítrofe entre o Brasil e o Paraguai.

Da planta de Stevia extrai-se o edulcorante steviosídeo, mais conhecido como adoçante. Com poder de doçura 300 vezes maior que o açúcar de cana (Sacarose). O steviosídeo não é calórico, possui propriedades anti-cariogênicas, suporta tanto altas como baixas temperaturas sem a perda das propriedades de doçura. Por seu poder flavorizante realça o sabor dos alimentos. Estudos recentes revelam que o steviosídeo possui também propriedade anti-oxidante, tornando-o um alimento funcional (nutracêutico).

ORIGEM: A stevia rebaudiana (bert.) BERTONI, é uma planta originária da América do Sul, pertencente à família Compositae, tribo ASRERACEA, gênerio Stevia e espécie Stevia_rebauduana. Foi identificada em 1.905 por MOISÉS S. BERTONI, na serra Amanbaí, região limítrofe entre o Brasil e Paraguai.

DESCRIÇÃO BOTÂNICA: É uma planta arbustiva que forma, com o tempo, múltiplos brotos e mede de 40 a 80cm de altura. A raiz perene, fibrosa e filiforme.

ESCOLHA DA ÁREA PARA INSTALAR A CULTURA: para uma cultura perene que irá permanecer na mesma área por 4 a 6 anos, é prudente que a escolha desta área seja feita com rigoroso critério, especialmente com relação à presença de plantas invasoras e patógenos, bem como, com os seus respectivos controles.

TRANSPLANTIO: Para que se possa executar o transplantio, as mudas stevia, devem ter 100cm de altura; contando com dez pares de folhas. O sistema radicular deve possuir, pelo menos, 5cm de comprimento. Esta operação deve ocorrer no inicio da primavera, quando o clima esta ameno. Para o transplantio das mudas, na área definitiva, devem ser feitos sulcos de 20cm de profundidade por mudas devem ser colocadas nas paredes inclinadas do sulco de 20cm por 15cm de largura, espaçadas entre si com 50cm; acompanhando a linha do nível do terreno. As mudas devem ser colocadas nas paredes inclinadas do sulco, espaçadas, entre si, de 20cm, quando esta operação estiver concluída, deve-se cobrir as plantas com o uso de uma enxada, tomar o cuidado de não apiloar o solo.

CUIDADOS GERAIS COM A CULTURA: Imediatamente após o transplantio os cuidados com as mudas se restringem a irrigações de dois em dois dias para fixar as raízes no solo, e capinas periódicas quando se fizer necessário. Essas irrigações devem ser espaçadas para intervalos maiores à medida que ocorra o pegamento da cultura.

CUIDADOS COM AS PLANTAS DURANTE O CRESCIMENTO
ADUBAÇÃO:
Adubação de manutenção – a adubação de manutenção da stevia deve ser feita por ciclo de produção. Pesquisas determinaram que a absorção de alguns nutrientes essenciais aumente a partir dos 57 dias após o transplantio até a floração da planta.
• Adubação fosfatada – anualmente,
• Adubação nitrogenada – uma aos 30 dias e outra aos 60 dias após o transplantio ou corte,
• Adubação potássica – juntamente com a adubação nitrogenada,
• Solução de micronutrientes – aplicar conforme as deficiências do solo.

IRRIGAÇÃO: A irrigação contribui para o acréscimo de produtividade de matéria seca, também para a sobrevivência das plantas. O sistema radicular da stevia está restrito a uma profundidade de até 15cm. Se ocorrer falta de água no solo, as plantas terão mais dificuldades de reiniciar o crescimento.

COLHEITA: A colheita deve ocorrer no final do ciclo de crescimento da planta, imediatamente antes do início da floração; podendo se estender até que se abram as flores. A colheita manual deve ser feita com ferramentas de cortes bem afiadas para que não ocorra abalo no sistema radicular das plantas no ato do corte dos ramos. A operação em si, sendo manual ou mecânica, deve ser executada com cortes a 2cm acima do solo, retirando-se os ramos da área de plantio.

PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE: A cultura de stevia oferece uma produtividade média de folhas secas de 4.000 a 5.000 kg/há. A classificação das folhas desta planta pode ser feita pela porcentagem de adoçantes, que giram em torno de 06 a 12% de umidade.

SECAGEM: colocam-se os ramos sobre uma superfície ao sol em terreiro ou lona plástica sem sobreposição dos ramos por um período de 6 horas. Posteriormente, procede-se a separação das folhas com o uso de um rastelo ou por movimentos bruscos destes. Se a chuva for imprevisível, deve-se estar preparado para retirar do terreiro os ramos com folhas e armazena-los em ambientes seco até que possam voltar ao sol.

ARMAZENAMENTO DAS FOLHAS: As folhas limpas devem ser armazenadas em sacos protegidos da umidade do piso e das paredes externas devido a sua utilização, para consumo humano, estas folhas devem ser armazenadas em ambiente limpo e livre de insetos e ratos que podem vir a transmitir doenças para o homem.

INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O VIVEIRO DE STEVIA
O canteiro de produção de mudas de stevia deve ter 25cm de altura e 1 metro de largura e quantos metros de comprimento forem necessários, o solo destes canteiros depois de adubado, devem ser destorroado antes da semeadura. As sementes de stevia são semeadas a lanço sobre os canteiros, sendo colocada uma quantidade de (10 g/m2 de semente), devem ser protegidas com sombrite para não serem levadas pelo vento. No período de germinação recomenda-se cinco (5) regas diárias após a germinação (3 a 4 dias após o semeio) recomenda-se duas (2) regas diárias. Uma boa muda, após 90 dias de viveiro, deve ter entre 10 a 15cm de altura, pelo menos 10 pares de folhas e um sistema radicular de 10cm de comprimento.

Camellia sinesis...



Os alimentos funcionais são definidos pela International Food Information Council (IFIC) como alimentos que provêm benefícios adicionais à saúde aos já atribuídos nutrientes que contêm. Dentre os alimentos funcionais, o chá é uma bebida amplamente utilizada, perdendo apenas para a água como a bebida mais consumida no mundo (LAMARÃO e FIALHO, 2009).

Originário da China, o chá é cultivado e consumido pelas suas características de aroma e sabor e propriedades medicinais em mais de 160 países, especialmente os asiáticos (NISHIYAMA e cols., 2010). Os chás produzidos a partir de folhas de Camellia sinesis são classificados em três categorias conforme o processo de fabricação: fermentado (preto), não fermentado (verde) e semi fermentado (oolong), sendo que o chá verde caracteriza 20% da produção mundial (LIMA e cols., 2009).

As propriedades funcionais do chá verde são atribuídas ao seu conteúdo polifenólico, que inclui flavonóis, flavonoides, flavondióis e ácidos fenólicos que totalizam cerca de 30% do peso seco das folhas. A maioria dos polifenóis do chá verde se apresenta como flavonóis, e dentre os quais, predominam as catequinas. As quatro principais catequinas do chá verde são a epicatequina (EC), 3-galato de epicatequina (GEC), epigalocatequina (EGC) e 3-galato de epigalocatequina (GEGC).


Uma típica bebida de chá-verde, preparada em uma proporção de 1 grama de folhas para 100mL de água por 3 minutos de infusão, geralmente, contem cerca de 35-45 mg/100mL de catequinas e 6 mg/100mL de cafeína. Alguns estudos indicam deixar a folha em infusão por 10 minutos.

Diversos estudos epidemiológicos sugerem que os potenciais benefícios desses alimentos seriam na redução do risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, tais como câncer, doenças cardiovasculares, distúrbios metabólicos, doenças neurodegenerativas e enfermidades inflamatórias (SENGER, SCHWANKE e GOTTLIEB, 2010).

 
Função das catequinas no metabolismo lipídico
Entre uma variedade de efeitos benéficos do chá verde, grande atenção tem sido dada à redução da gordura corporal. Evidências sugerem que o extrato do chá verde contendo 25% de GEGC possa reduzir o apetite e aumentar o catabolismo de gorduras. As doses de chá verde que surtem tais efeitos variam largamente, mas tipicamente ficam em torno de 3 copos por dia, equivalente a, aproximadamente, 240 a 320mg de polifenóis (LAMARÃO e FIALHO, 2009).

O sistema nervoso simpático regula a termogênese e a oxidação lipídica. Substâncias como os flavonóides do chá verde possuem capacidade de atuar sobre este sistema através da modulação da noradrenalina, aumentando assim a termogênese e a oxidação das gorduras, evitando, dessa forma, o aumento no tamanho e quantidade de adipócitos e, consequentemente, prevenindo o depósito de gordura no organismo e regulando o peso corporal. Nesse caso, alguns estudos mostram que as catequinas desempenham um papel importante no controle do tecido adiposo, principalmente pela regulação que a GEGC exerce sobre algumas enzimas relacionadas ao anabolismo e catabolismo lipídico, como a acetil CoA carboxilase, Ag sintetase, lipase pancreática, lipase gástrica e lipooxigenase. Estudos in vitro e in vivo sugerem que a GEGC modula a mitogênese, a estimulação endócrina e a função metabólica nas células de gordura, além de estar associada com a má absorção de carboidratos e gorduras no trato intestinal, por inibição enzimática e do sódio transportador de glicose (SENGER, SCHWANKE e GOTTLIEB, 2010).

Em humanos, estudos com indivíduos eutróficos e com sobrepeso que ingeriram doses altas e baixas de bebidas contendo catequinas, revelaram o decréscimo significativo no peso corporal, no IMC, na circunferência da cintura e na relação cintura quadril em ambos os grupos que ingeriram altas e baixas doses de catequinas. A medida da cintura indicou significante decréscimo na área total de gordura, bem como na área visceral em ambos os grupos. Além de encontrarem significante redução de colesterol total e do LDL (KAJIMOTO e cols., citado por LAMARÃO, FIALHO, 2009).
  • Efeitos adversos
Entre os efeitos adversos do chá verde, foi relatado que o consumo, por 5 anos, de chá obtido diariamente de 65 g de folhas, pode levar à disfunção hepática, a problemas gastrointestinais como constipação e até mesmo, à diminuição do apetite, insônia, hiperatividade, nervosismo, hipertensão, aumento dos batimentos cardíacos e irritação gástrica. Pesquisadores ainda complementam que altas doses podem causar efeitos adversos significantes pelo conteúdo de cafeína, especificamente palpitações, dor de cabeça e vertigem (LAMARÃO e FIALHO, 2009). Por isso é muito importante ter cautela quanto ao seu uso, pois ainda não existe um consenso quanto a sua dosagem e modos de administração (chá ou cápsula) (SENGER, SCHWANKE e GOTTLIEB, 2010).

Os estudos científicos atuais consideram a C. sinensis como uma planta estratégica para a saúde humana no século XXI. As pesquisas com o chá verde revelam de forma crescente seu efeito restaurador de estados patológicos e, por tratar-se de uma bebida amplamente disponível e de baixo custo, torna-se viável o seu uso como um importante coadjuvante no manejo nutricional em diversas patologias. No entanto, não se pode esperar que um único alimento tenha a capacidade de proporcionar um impacto de grandes proporções sobre a saúde pública, embora seja importante observar que mesmo um efeito modesto pode ter um impacto importante sobre as causas mais prevalentes de morbidade e mortalidade das DCNT, merecendo assim maior atenção, tendo em vista que em pouco tempo o consumo regular de chá verde poderá ser considerado como parte das dietas ocidentais. (SENGER, SCHWANKE e GOTTLIEB, 2010).

Também é válido ressaltar quer, com o objetivo de obter redução de gordura corporal torna-se importante aliar o consumo do chá verde a um plano alimentar equilibrado, além da prática frequente de atividade física, consideradas condutas favoráveis para acelerar o metabolismo energético (LAMARÃO e FIALHO, 2009).
REFERÊNCIAS

LAMARÃO, R. C.; FIALHO, E. Aspectos funcionais das catequinas do chá verde no metabolismo celular e sua relação com a redução da gordura corporal. Revista de Nutrição, Campinas, vol. 22, n.2, p. 257-269, 2009.
LIMA. J. D., e cols. Chá: aspectos relacionados à qualidade e perspectivas. Ciência Rural, Santa Maria, v. 39, n. 4, p. 1270-1278, 2009.
SENGER, A. E. V.; SCHWANKE, C. H. A.; GOTTLIEB, M. G. Chá verde (Camellia sinensis) e suas propriedades funcionais nas doenças crônicas não transmissíveis. Scientia Medica, Porto alegre, v. 20, n.4, 2010.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Estudo aponta que a hortelã pode ser usada para aliviar os sintomas de pessoas que sofrem com úlcera


A úlcera péptica causa danos e desconforto ao estômago, e acomete cerca de 10% da população mundial, principalmente indivíduos com idade entre 30 e 70 anos. Seu desenvolvimento está fortemente relacionado com a digestão alimentar, que ocorre quando há, por exemplo, sobreposição de fatores que agridem a mucosa gástrica - ácido clorídrico e pepsina - em relação aos fatores que a protegem - muco e bicarbonato.
Estudo realizado pela Unicamp aponta que a hortelã pode ser usada para aliviar os sintomas de pessoas que sofrem com úlcera. A bióloga Christiane Takayama testou um óleo essencial da espécie Hyptis spicigera, popularmente conhecida como catirina, hortelã, cheirosa ou cheirosa-de-espiga. O óleo, que ainda precisa de mais testes antes de se comercializado, conseguiu inibir praticamente em 100% a formação da lesão ulcerativa.
O óleo aumenta a produção do muco gástrico, a camada responsável por proteger o estômago contra o suco gástrico. Esse contém pepsina e ácido clorídrico, os quais maltratam a mucosa estomacal, provocando as úlceras. Ao aumentar o muco, o óleo conseguiu defender o órgão contra a formação de lesões ulcerativas, não somente reduzindo-as, mas também impedindo a sua formação.
"Foi um resultado encorajador", comemora Takayama. Segundo a pesquisadora, não existia na literatura científica provas cabais dessas atividades benéficas da hortelã. "O que havia era apenas indicação popular, contudo nenhum estudo comprobatório desse potencial do óleo", completa.
O composto mostrou características antioxidante, capaz de abrandar a formação de espécies reativas de oxigênio por mecanismo de transferência de hidrogênio. E também forte potencial de cicatrização, conseguindo reduzir praticamente em 90% a área da lesão de úlcera nos animais.

Fonte: bibliomed, 14 de março de 2011